Uma
noite na casa vermelha
Desde que me entendo por
gente que sempre quis saber o que existe no interior da última casa da rua,
mais conhecida como: casa vermelha.
Existem boatos de que em
todas as noites de Halloween, o fantasma de uma bruxa poderosa vaga pelos
arredores da nossa rua e sempre adentra a casa, onde faz seus sacrifícios e os
entrega ao diabo em pessoa. Como sou curiosa ao extremo e amante de uma boa
fonte de pesquisa, esse ano resolvi ver com meus próprios olhos se tudo isso é
verídico ou se é só mais uma invenção de gente que não tem o que fazer.
Heloísa, minha melhor amiga,
topou participar desta aventura comigo e meus pais estão borrando de medo.
Faltam apenas dois dias para o Halloween e estou firme nas anotações. Tudo que
acontece de diferente, eu registro num pequeno caderno de couro que herdei do
meu avô. Ele adorava um mistério e foi graças aos registros que ele fez sobre a
tal bruxa que aguçou a minha curiosidade.
— Tem certeza que vai entrar
mesmo na casa vermelha, Carla? — Heloísa indaga-me.
— Certeza absoluta amiga.
Os dois dias se passaram e
quando o relógio badalou a meia noite, Heloísa e eu saímos de casa e ficamos na
espreita. Eu já estava bocejando quando uma névoa branca surgiu no meio do
nada. Tem muita mata nas redondezas. Esfreguei os olhos para ver se tudo não
era da minha imaginação e a bruxa se materializou, bem ali, na nossa frente,
trajando uma túnica tão vermelha quanto a casa. Ela foi caminhando, dando suas
gargalhadas e quando enfim entrou na casa, Heloisa e eu corremos para espiar.
Pelo vidro da janela e com a câmera na ativa, arregalamos bem os olhos para não
perder nenhum detalhe. Um calafrio percorreu a minha espinha quando vi o rosto
horroroso dela sob a penumbra da luz da vela que automaticamente se acendeu.
Aquilo não parecia uma bruxa, mas sim, um monstro.
O mais doloroso, foi quando
ela tirou uma criança indefesa de um saco. Ela o cheirou, e gargalhando disse:
— Preparado para virar
comida do mestre?
Nesse instante, Heloísa e eu
arrepiamos os cabelos e com fúria, saímos correndo, deixando a câmera para
trás.
— Carla, a câmera ficou! —
Heloísa disse.
— Esquece a câmera amiga, se
amanhã ela ainda estiver lá nós a pegamos — respondo batendo os dentes de tanto
medo e pedindo a Deus em uma oração silenciosa que salve a criança.
Depois dessa noite, nunca mais eu consegui dormir, principalmente depois que assisti ao filme e presenciei o sacrifício do menino que aparentava ter uns quatro anos. A bruxa chama-se Elza e eu estou louca para que o próximo Halloween chegue. Eu ainda não sei como, mas irei matá-la, custe o que custar. Vou continuar o que meu avô começou.
Por:
Kerley Carvalho

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