Dilema
— Confesso que estou cansada
de tanta bobagem — digo sem tirar os olhos de Sidney.
— Olha Sara, eu também
estou, mas precisamos entrar num acordo.
— Não deixarei minha filha
com ele, onde eu for ela irá comigo — bato o pé sem deixar espaços para
conversas cansativas.
— Ele é o pai, tem direito
de vê-la.
— Para mim ele só serviu
para fazê-la, ele nunca foi um pai de verdade.
— Sim, eu concordo com isso,
mas é a lei.
— A lei de merda que acoita
um homem desse. Ou melhor, homem não, bandido.
— Fica calma, vá viajar,
leve sua filha e dê um jeito de manda-la para a casa dele uma vez por mês — Sidney
diz fechando a maleta recheada de papéis.
— Sidney, eu irei me mudar
para uma cidade com mais de dois mil quilômetros de distância. Trazer a Maria
todo mês é algo impossível.
— Então, pelo menos a cada
três meses. O Otávio está disposto a lhe processar e ficar com a guarda da
Maria, caso você continue relutante — ouvir isso faz o meu sangue ferver.
— Ah é? Então ele terá que
ser muito homem para passar por cima do meu cadáver.
— Sara, se acalme, estou lhe
contando para o seu próprio bem — Sidney tenta apaziguar, mas estou que nem uma
leoa raivosa.
— Não me peça calma,
tampouco juízo. Estamos falando da guarda da Maria, minha única e amada filha.
Eu passei a gestação inteira sozinha e agora que ela está bem, ele quer
direitos?
— Sim, eu entendo, mas lei é
lei — Sidney diz severo.
— Tudo bem, diz ao Otávio
que ele é um idiota — brado.
— Se acalme mulher, ou...
— Ou o que, Sidney? —
provoco-o.
— Ou irei lhe dar umas boas
palmadas — ele diz com safadeza.
— Então dê!
Por:
Kerley Carvalho