O
Natal e a pandemia de 1918
Em 1918, o mundo encarava a
pandemia de gripe espanhola juntamente com o fim da Primeira Guerra mundial.
Assim como nós, 102 anos
depois estamos encarando a pandemia do covid-19, nossos irmãos também nutriam
as mesmas inseguranças com relação ao reencontro com as pessoas, o Natal estava
próximo mas dentro de cada ser humano a dúvida: ir ou não ir?
A gripe espanhola deixou cerca
de 50 milhões de mortos e com isso, tornava-se cada vez mais difícil retomar a
vida normal.
Em dezembro, a segunda onda
da doença atingia os Estados Unidos que por sua vez, resolveu decretar o
distanciamento social. Alguns meses antes do Natal, haviam implantado o uso de
máscaras que na época eram feitas de várias camadas de gaze. Isso conteve a
circulação de vírus por um tempo, mas semanas antes do Natal, novamente o caos
tomou conta. O problema, era que os cidadãos haviam acabado de acordar do
pânico e não estava em seus planos trazer à tona todo aquele sofrimento
novamente. Os comerciantes por sua vez, também não apoiavam o fechamento total,
pois viam nas compras natalinas a luz no fim do túnel para sanar as dívidas
depois de um ano fraco de vendas. O uso de máscaras dentro dos estabelecimentos
não era obrigatória, pois até mesmo os vendedores achavam o seu uso assustador.
Para as pessoas que tinham medo de sair de casa, os comércios adotaram um meio
de entrega, assim, o cliente recebia a mercadoria no conforto do lar.
Agora, 102 anos depois,
estamos vivendo o mesmo, claro que menos a parte da guerra que com certeza
gerou ainda mais sofrimento para aquelas pessoas que viram seus dias mudarem da
noite para o dia.
Insegurança, medo, pavor.
Abraçar, se tocar e até olhar para um amigo ou familiar tornou-se algo doloroso
e medonho ao mesmo tempo. A privatização da liberdade é a pior coisa que um ser
humano pode viver. É como se fôssemos um bando de animais enjaulados.
Por: Kerley Carvalho

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