sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Mulheres X Literatura erótica, o grande tabu

Vamos falar de mulheres que amam ler romances eróticos? E por que isso ainda é considerado um “tabu” para a sociedade? Será que mulheres não podem expulsar suas euforias? Venha refletir comigo em mais um texto, aqui no Busão Literário.

Antes de mais nada, seja muito bem-vindo ou bem-vinda a este grupo. É maravilhoso ter a sua ilustre presença. Sinta-se à vontade para curtir, comentar, compartilhar e salvar esta publicação.

Não é segredo para ninguém que as mulheres, leitoras e apreciadoras da literatura erótica ou hot, ou new adult, ainda são mal vistas. Pois é, parece que para alguns, uma mulher que opta por este tipo de leitura ou filme é “safada”, “puta”, “mal comida” e por aí vai. Porém acabam se esquecendo que homens e mulheres são humanos acima de tudo e seus direitos devem ser iguais. Claro que sem querer generalizar, uma vez que para esta autora aqui, qualquer gênero é bem-vindo, assim como as opiniões são individuais e merecem respeito.

Mas, como vou cobrar respeito se não dou?

Pense fora da caixa e imagine o quão seria chato se alguém se aproximasse de você e lhe lançasse palavras de baixo calão pelo simples fato de você estar lendo um livro erótico?!

Nem toda mulher que lê ou assiste filmes eróticos tem a pretensão de reviver tais cenas. Da mesma forma que outras buscam alívio para corpos e almas em páginas carregadas de luxúria. O ser humano é livre acima de tudo e o prazer é para todos, senão ele não existiria. E convenhamos: quem não gosta de sentir prazer, não é mesmo?

Vale ressaltar que livros eróticos aumentam a libido, e não é esta autora que está dizendo, existem pesquisas que comprovam isso. São páginas, capítulos e afins capazes de elevar os ânimos de qualquer ser humano comum. Por que as mulheres não podem?

Peço o perdão da palavra, mas preciso citar que homens, não são mal vistos pela sociedade por assistirem filmes pornográficos, por exemplo. Da mesma forma que um homem se sente extasiado ao ver o sexo explícito na tela da tv, uma mulher tem o direito de se deleitar em páginas que trazem a mesma perspectiva, só que de uma maneira diferente. E olha, ver o sexo é bom, mas imaginá-lo enquanto se lê é magnífico.

Quem conhece a obra “50 tons de cinza” da autora E.L. James sabe o quanto a trilogia tocou casais pelo mundo afora. A maestria que a autora usou na escrita em cenas completamente sensuais, tirou muita gente da zona de conforto que nem via mais o sexo como uma necessidade dentro do relacionamento. Não me esqueço do quanto fui falada num curso técnico que fazia na época, só porque não conseguia parar de ler. Ainda bem que vergonha é um sentimento que não faz muito o meu tipo (risos).

Enfim, as minhas considerações são as mais amigáveis e simples. Amo escrever hot assim como amo ler hot e nada nem ninguém mudará a minha opinião. Portanto, mulheres, leiam, se joguem sem importar com o que vão dizer. O importante é estar bem e gozar, gozar muito.

Por Kerley Carvalho



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Desnudando a alma de um poeta

Segura que hoje o assunto é para lá de picante. Vamos falar de erotismo, isso mesmo, não se assuste, o sexo ainda é um tabu, mas ele é a coisa mais natural que existe e irei lhe mostrar evidências disso através de um fato que muitos desconhecem.

Sem mais delongas, você sabia que o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu poemas extremamente ousados?! Isso mesmo, o poeta guardou a sete chaves esses poemas para uma possível publicação póstuma e isso originou o livro O amor natural. Em seu poema A língua lambe, podemos ter uma ideia da tamanha inspiração que percorria suas veias durante o ato da escrita.

 

“A língua lambe as pétalas vermelhas

da rosa pluriaberta; a língua lavra

certo oculto botão, e vai tecendo

lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,

a licorina gruta cabeluda,

e quanto mais lambente, mais ativa,

atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos

de leões na floresta, enfurecidos.”

 

A obra de Carlos Drummond é uma coletânea de poemas eróticos construídos sob uma vasta visão inquietante e sedutoramente fascinante. Os poemas são salpicados com o tempero da sensualidade e podemos notar ao ler, que o poeta buscava através das palavras desnudar sua própria alma.

Como os leitores de Drummond já estavam acostumados com o seu gênero de escrita, ele optou por não publicar a obra pois, temia que a mudança não fosse bem vista, mas, para esta autora aqui, ele teria conquistado ainda mais leitores, admiradores do erotismo pelo mundo afora.

Para o poeta, a diferença entre sexo e pornografia era certa, mas infelizmente naquela época, fazia-se uma grande confusão e como na atualidade ainda existem receios com assuntos que nós preferimos acreditar em terceiros do que buscar o conhecimento e tirar as nossas próprias conclusões.

Por isso, o autor guardou os poemas para si, de fato por considerar sua obra um tanto vulgar pelas visões alheias. Entretanto, ao lermos os poemas com um olhar clínico, desnudando as entrelinhas, notamos que o pensamento dele nada mais era que mostrar o sexo como algo natural da vida de qualquer ser e sobretudo, que o amor é a chave para qualquer relação.

Por Kerley Carvalho

 


 

Desafio de escrita - 9º Tema: Escreva um poema

  Loucamente embriagado   Pelas noites negras, vago Digo, repito e indago Feras ferozes Amores algozes   Enquanto houver um so...