Segura que hoje o
assunto é para lá de picante. Vamos falar de erotismo, isso mesmo, não se
assuste, o sexo ainda é um tabu, mas ele é a coisa mais natural que existe e
irei lhe mostrar evidências disso através de um fato que muitos desconhecem.
Sem mais
delongas, você sabia que o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu
poemas extremamente ousados?! Isso mesmo, o poeta guardou a sete chaves esses
poemas para uma possível publicação póstuma e isso originou o livro O amor natural. Em seu poema A língua lambe, podemos ter uma ideia da
tamanha inspiração que percorria suas veias durante o ato da escrita.
“A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.”
A obra de Carlos
Drummond é uma coletânea de poemas eróticos construídos sob uma vasta visão
inquietante e sedutoramente fascinante. Os poemas são salpicados com o tempero
da sensualidade e podemos notar ao ler, que o poeta buscava através das
palavras desnudar sua própria alma.
Como os leitores
de Drummond já estavam acostumados com o seu gênero de escrita, ele optou por
não publicar a obra pois, temia que a mudança não fosse bem vista, mas, para
esta autora aqui, ele teria conquistado ainda mais leitores, admiradores do
erotismo pelo mundo afora.
Para o poeta, a
diferença entre sexo e pornografia era certa, mas infelizmente naquela época,
fazia-se uma grande confusão e como na atualidade ainda existem receios com
assuntos que nós preferimos acreditar em terceiros do que buscar o conhecimento
e tirar as nossas próprias conclusões.
Por isso, o autor
guardou os poemas para si, de fato por considerar sua obra um tanto vulgar
pelas visões alheias. Entretanto, ao lermos os poemas com um olhar clínico,
desnudando as entrelinhas, notamos que o pensamento dele nada mais era que
mostrar o sexo como algo natural da vida de qualquer ser e sobretudo, que o
amor é a chave para qualquer relação.
Por Kerley Carvalho

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